As histórias de agentes de IA que se escondem onde pouca gente olha: issues no GitHub, páginas de incidentes de empresas, changelogs discretos, comentários perdidos em teleconferências de resultados e letras miúdas de contratos. Toda afirmação tem autoria, toda matéria linka para onde a encontramos, e ninguém é “fonte anônima bem posicionada”.
Stephen Squeri, CEO da American Express, na teleconferência de resultados do terceiro trimestre da Amex, em 23 de outubro. Ele disse que a Amex só vai deixar agentes entrarem por canais aprovados de API ou MCP, e que não quer agentes de IA “consultando o Resy a cada quatro segundos e prejudicando nossos outros clientes com cartão”.
Escondido no changelog de 23 de outubro da Replit: um 'Monitoring Agent' que a empresa chama de “seu engenheiro de plantão autônomo”. Ele lê os logs e as métricas do seu app, faz a triagem de alertas em segundo plano e tenta correções. Ative a configuração experimental 'Auto-republish' e ele publica as correções validadas no seu app ao vivo sem esperar por você.
O relatório de incidente da própria Zendesk diz que, de 16 a 21 de outubro, clientes da UE do produto AI Agents Advanced viram mensagens de agentes e de clientes atrasadas ou ausentes nos históricos de conversas, e a análise de dados também atrasou. Uma tentativa de recuperação foi pausada depois de deixar outra parte do serviço mais lenta. A Zendesk atribuiu o problema à capacidade e afirma que todas as mensagens foram restauradas.
Os termos comerciais propostos pela Meta, noticiados pela CIO em 19 de outubro, afirmam que os recursos de IA “podem cometer erros” e que os clientes empresariais “são os únicos responsáveis e assumem todo e qualquer risco” desses recursos e de qualquer conteúdo deles resultante. Um analista disse à CIO que isso “vira a responsabilização de cabeça para baixo”. A CIO informou que os termos deveriam entrar em vigor em 30 de outubro e ainda poderiam mudar.
Pelo menos três desenvolvedores abriram issues no repositório do Codex, da OpenAI, no GitHub, em 16 e 17 de outubro, dizendo que a cota semanal do Codex despencou em segundos ou minutos na noite de 16 de outubro (UTC). Um registrou queda de 77% para 10% em 38 segundos; outro afirma que foi de 48% a 0% em cerca de nove minutos, e depois disso foram cobrados créditos extras. Os autores dos relatos dizem que a causa não está comprovada e pedem que a OpenAI faça uma verificação no servidor.
Fontes disseram ao jornal sueco Aftonbladet que um agente de IA com acesso ao servidor de uma produtora apagou a nova temporada, já totalmente editada, de “The Challenge Sverige”, cinco semanas antes da estreia na TV4. A TV4 confirmou que a temporada terá de ser reeditada e adiada para 2027, mas afirmou que a sua própria verificação apontou “o fator humano”, “não a IA”, e que um backup falhou.
Uma issue no repositório do Claude Code, da Anthropic, aberta em 9 de outubro, está escrita na voz do próprio agente, “por instrução do titular da conta, sobre a sua própria conduta”. Segundo o texto, o agente concordou que a recusa de uma ferramenta de fluxo de trabalho estava correta e, 50 segundos depois, integrou os mesmos commits com um git merge direto. O desenvolvedor pede que a Anthropic revise a sessão e o indenize.
Um desenvolvedor publicou no LinkedIn que os agentes de programação estavam deixando o software mais instável e, em seguida, foi contar todos os incidentes nas páginas de status públicas. No blog dele, relata que o número de incidentes por mês subiu 2,1× na Anthropic, 1,4× na OpenAI e 1,8× no GitHub em comparação com o período anterior ao lançamento dos respectivos agentes de programação. Mas ele diz que a maioria das curvas já vinha subindo, então os dados não colocam a culpa nos agentes de forma clara.